ELETRICISTA PROFISSIONAL: veja os problemas na PRÁTICA

Muita gente já teve a coragem de falar pra mim – “você é engenheiro de ar condicionado!”. Mas pouca gente sabe que eu só consegui pagar a minha faculdade de engenharia e me tornei um Eletricista Profissional porque ralei de eletricista desse jeito aqui!

Essa foi uma obra que pegamos onde houve um curto no ramal de alimentação do QDC. Os cabos derreteram e soldaram junto com a tubulação. Tivemos que localizar a obstrução, quebrar a parede e tentar de todas as formas restabelecer a energia. Além disso, ainda reformamos todo o quadro do cliente, que estava horrível.

Olha só como estava antes, e agora olha só como ficou!

Quer ver como um eletricista profissional resolve esse problema?

Então, aproveite este texto até o final!

Eletricista Profissional e cliente: primeiro contato

Um cliente antigo meu me ligou dizendo que mudou-se para uma casa nova a pouco tempo. Porém, apenas metade da casa funcionava e ele precisa de um eletricista profissional! Combinei de fazer uma visita e chegando lá vi que era um quadro bifásico 220V. Mas, das duas fases, apenas uma acusava tensão.

Fui ao padrão e vi que as duas fases acusavam tensão. Então, o problema era no ramal de alimentação entre o padrão e o QDC. Um possível curto causou o rompimento de um condutor e, com isso, a falta de energia na metade da casa.

Notei também que o QDC estava uma bagunça: disjuntores mal dimensionados, falta de organização dos cabos…

  • Tinha até disjuntor tripolar em um QDC bifásico. Dá pra acreditar?!

Resultado, fechei com ele para trocar o cabo de alimentação do padrão até o QDC e fazer uma reforma no quadro. Dimensionando corretamente e colocando DPS.

Passo 01 do processo:

O primeiro passo antes de desmanchar o quadro e identificar todos os circuitos.

Fizemos vários testes e identificamos com fita isolante colorida os cabos de fase anotando em um papel o que íamos descobrindo. Para nossa sorte, o eletricista que fez sabia ao menos padrão de cores e dividir os circuitos de iluminação dos de tomada. Na maioria das vezes isso não acontece.

  • Aí dificulta ainda mais o trabalho!

Tudo identificado, primeira coisa para se trabalhar com segurança é desenergizar toda a instalação no quadro de medição – O padrão de energia.

Iniciamos a desmontagem cortando os cabos de fase.

O curioso é que chega cabo 16mm² e de repente emenda 6mm² para alimentar os disjuntores.

Uma coisa horrível!

Em seguida começamos a retirar os disjuntores. Nesse caso aqui não usaram barramento e fizeram pontes com cabos azuis de 4mm², sendo que o cabo de alimentação do QDC é 16mm². Essa casa tem 3 chuveiros em 127V ainda!

Dá para entender porque não durou tanto assim né?!

Olha também esse disjuntor tripolar aqui, não sei o que ele tá fazendo aí. A instalação é bifásica né! Mas vamos lá, ele já sofreu um curto e pelo jeito por causa de má conexão. Olha o estado do componente.

Passo 2 – Problema pouco é bobagem!

Tudo separado, hora de amarrar o novo cabo e puxar até o padrão.

Aí tivemos uma baita surpresa: os cabos 16mm² rígidos, ainda por cima, sequer se mexiam. Fizemos força pra caramba e nada. Daí tivemos a ideia de sondar para tentar achar onde estava a obstrução.

E… bingo!

Conseguimos escutar a sonda batendo na parede.

Como resolvemos?

Começamos a quebrar. Depois de umas boas marretadas e alguns minutos começamos a descobrir a mangueira! Isso mesmo, pessoal, eles usaram uma mangueira preta de irrigação – Muito comum isso! Percebam com atenção que ao entrar no rodapé, essa mangueira foi esmagada, era ali o ponto que prendia os cabos e por isso não conseguimos removê-lo.

Agora que achamos onde estava o B.O, voltamos para o QDC para amarrar os novos cabos nos condutores existentes. Afinal, em uma troca de condutores, quando os cabos existentes estão inteiros, usamos ele como guia dos novos.

Nesse momento, pessoal, recomendo fazer uma boa ancoragem dos cabos. Afinal, eles são um pouco mais grossos que o comum e podemos ter outras partes obstruídas no resto do percurso.

Como podem ver, decapei a ponta do cabo rígido existente e depois decapei um dos novos cabos flexíveis que vamos passar.

Usei aqui o condutor verde que vai ser o aterramento. Em seguida, passei a fita isolante e fui dando uma distância de mais ou menos 10 cm e comecei a travar os outros cabos no condutor verde.

Primeiro, coloquei o azul do neutro, passei a fita travando ele. Depois, peguei um dos cabos de fase, dei mais uma distância, e depois a outra fase preta também. Essa distância, pessoal, garante que o cabo passe melhor por um ponto apertado. Pois, se você colocar todos os cabos juntos, forma um “bolo” na ponta. E isso atrapalha demais na hora de passar, fica a dica ai!

Passo 3 – Outra obstrução!

Cabos novos amarrados lá no quadro, viemos aqui pra fora ver o que tivemos que fazer, olha só. Cortamos a mangueira perto da obstrução e tentamos puxar os cabos. E, para nossa surpresa, mais uma vez outro ponto obstruído! Porém, dessa vez tinha uma antiga caixa de inspeção do outro lado próximo ao padrão que quebramos também para tentar puxar, e conseguimos!

Olha só o estado dos cabos rígidos, sujos de barro e ainda por cima o curto danificou a isolação dos outros cabos também. Não ia demorar muito para a outra fase se romper e a casa toda ficar sem energia.

Conseguimos enfim passar a sonda por esse ponto e continuar a jornada tentando passar o novo ramal de alimentação.

O Charles foi para o quadro para guiar os cabos pra mim. E eu fiquei puxando do outro lado onde cortamos a mangueira no primeiro ponto de obstrução. Do outro lado, eu puxei todo o circuito para depois lubrificar novamente e tentar passar pelo outro ponto obstruído.

Nesse caso, pessoal, usamos o lubrificante a base de água da 3M que é específico para puxar cabos. Eu gosto muito desse produto, pois seca rápido e não gruda nas mãos.

Como sabemos da obstrução, colocamos lubrificante também dentro da tubulação. Isso tudo ajuda na hora de puxar os cabos. Em seguida, começamos a puxar. Sempre um puxando e outro empurrando os condutores para aliviar a força no cabo. E, por fim, conseguimos concluir a etapa de passagem de cabos. Que sufoco!

Tapando buracos

Passado os cabos até o padrão, o Charles foi tapar os buracos com gesso seca rápido. E vim pro quadro de distribuição começar a organizar. Primeira coisa que fiz foi separar os cabos de aterramento de um lado e os cabos de neutro do outro. Usei abraçadeiras rapstrap, da Schneider, para juntar os condutores. Gosto bastante dessa abraçadeira pois gasta pouco.

Em seguida, comecei a parafusar os novos barramentos de neutro. O eletricista que fez usou conector de torção e juntou todos os neutros. Isso é uma bomba, pessoal, coisa feia, jamais faça isso!

Acabando de parafusar os barramentos de neutro e terra, comecei a decapar a ponta dos cabos de terra. Inclusive, essa é uma das partes que mais gosto, preparar os cabos para receber os terminais ilhós.

Sim esse rapazinhos aqui, se você não usa recomendo! Eles dão um acabamento top e garantem uma conexão a parafuso.

Fiz isso com os cabos de terra e em seguida com os cabos de neutro também. Depois comecei a parafusar os condutores de neutro e aterramento em seus respectivos barramentos, tudo separado. Uso a parafusadeira inicialmente, pessoal. Mas o aperto final sempre fica na chave de mão mesmo. Para conferir se está apertado de verdade, só na mão!

E olha só uma prévia de como está ficando nosso novo QDC. Já dá pra ver a diferença, não é?

Etapa 4 – Instalação de componentes

Hora de colocar os componentes no quadro. Nesse caso aqui, optei colocar primeiro o disjuntor geral, depois o DPS. A norma diz que o DPS precisa ficar na entrada do QDC, a jusante ou montante do disjuntor geral. Então você quem decide como fazer. Eu optei colocar depois do disjuntor geral por causa de uma manutenção. Se for preciso trocar o DPS pode desenergizar aqui mesmo. Não precisa ir lá fora no padrão.

Montado a parte de cima, começamos a colocar os disjuntores do bloco inferior. Optei colocar os chuveiros embaixo, junto com os outros circuitos de tomadas. Em cima, coloquei o circuito bifásico da garagem, que tem o motor do portão e o circuito de iluminação.

Uma dica que dou pra vocês é sempre que puder conectar os cabos de saída com os disjuntores fora do QDC e só depois encaixá-los no trilho DIN. Isso ajuda no aperto, na inspeção visual, você não precisa ficar abaixando, etc.

Aqui vocês já podem perceber a ligação e as derivações da alimentação, olhem só:

Eu estou usando barramento bipolar nesse quadro. As fases chegam do padrão e entram direto no disjuntor geral pelos terminais azuis certo. Em seguida, saem do disjuntor geral com cabos 16mm, claro, e alimentam o barramento superior. Uso conectores genéricos para fazer essa conexão com o barramento. E desse mesmo barramento, vou fazer a derivação também com cabo 16mm para o bloco debaixo de disjuntores.

Para isso eu já moldo os cabos e coloco terminais genéricos nas extremidades. Afinal, eles vão estar conectados em barramentos nos dois pontos. E assim ficou nosso quadro de distribuição.

Nessa hora aí só estava faltando aterrar os DPS. Mas percebam a qualidade no acabamento e na organização. Até um cliente que não entende de elétrica olha para o antes do quadro e para o depois e valoriza nosso serviço.

Para a ligação no padrão, optamos por usar conectores perfurantes. São bastantes seguros e pré-isolados também. Basta “morder” o cabo e apertar o parafuso com chave de boca que ele faz uma conexão perfeita. A gente ainda passa uma camada de fita isolante por cima apenas para garantir. E prendemos os cabos com abraçadeiras de nylon para organizar melhor.

Não se assustem, pessoal, mas o cabo de neutro que estava nesse padrão tem a cor vermelha. Não sei o porquê a CEMIG ligou, mas testamos antes e é isso aí…

Conclusão do serviço

Quadro montado, tudo conectado, hora de reenergizar e testar tudo. Além do teste de uso normal, como analisar se os equipamentos estão funcionando e tal, usamos também o multímetro diretamente nas tomadas para aferir a tensão. E fazemos a medição da corrente com tudo funcionando na instalação para ver se está dentro dos conformes.

Para finalizar, identificamos os circuitos na tampa do quadro:

– GERAL,
– DPS,
– Chuveiros,
– Tomadas,
– Iluminação, etc.

Ficou faltando colocar no quadro a etiqueta de advertência, o diagrama unifilar e nosso adesivo, porque não tínhamos na maleta na hora.

Muita gente deve estar se perguntando:

– André, porque você não colocou DR?

Simplesmente porque a gente não coloca DR em instalação que não fomos nós quem fizemos.

Instalar o DR nesse caso é pedir pra ter “dor de cabeça”. Chegamos até a fazer um teste com o dispositivo nos circuitos obrigatórios. Porém o equipamento atuou, ou seja, pegou alguma coisa errada.

Como o cliente não nos contratou para refazer a instalação, optamos por não colocar.

Fica a dica:

Faça de tudo para convencer o cliente e o informe sobre os riscos que eles estão expostos sem o DR. Na prática, nem sempre vamos conseguir convencer em caso de uma reforma simples como essa. Mas no caso de uma instalação nova ou reforma completa, é negligência sua não colocar o dispositivo, ok?

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Obrigado e até a próxima!

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