Como Dimensionar Disjuntor Geral: Cálculo Passo a Passo (127V e 220V)

disjuntor geral

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Marlon Pascoal
Escrito por Marlon Pascoal
Engenheiro Eletricista e Especialista em Segurança do Trabalho
CREA-MG 172.438/D  |  Atualizado em Agosto/2026

Para dimensionar o disjuntor geral, some a potência de todos os circuitos, aplique o fator de demanda da concessionária e divida o resultado pela tensão da rede. O disjuntor correto é o valor comercial imediatamente acima da corrente encontrada. Numa residência comum em 220V, o resultado costuma ficar entre 40 A e 63 A. A mesma casa em 127V exigiria quase o dobro, entre 80 A e 100 A, porque a corrente dobra quando a tensão cai pela metade.

💡 Resumo Rápido

  • 📊 Tabela do geral por faixa de potência, em 127V e 220V, com o cabo compatível.
  • Quantos watts cada disjuntor suporta, de 10 A a 100 A, nas duas tensões.
  • 🧮 Fator de demanda: o passo que evita superdimensionar o quadro inteiro.
  • 🔌 Disjuntor por circuito: iluminação, tomadas, micro-ondas, forno e chuveiro.
  • 🔁 127V x 220V: a mesma casa muda de 50 A para 90 A só por causa da tensão.
  • 🛡️ O DR: o disjuntor geral não protege pessoas, e isso não é opinião.
Eletricista dimensionando o disjuntor geral em um quadro de distribuição residencial

Tabela de dimensionamento do disjuntor geral

Esta tabela serve para uma estimativa rápida. Repare numa coluna importante: ela parte da potência demandada, ou seja, o valor já corrigido pelo fator de demanda, e não da soma bruta de tudo que existe na casa. Explicamos essa diferença logo abaixo.

Potência demandadaTensãoCorrenteDisjuntor geralCabo alimentador
Até 5.000 VA127V~39 A40 A6 mm²
Até 5.000 VA220V~23 A25 A4 mm²
5.000 a 8.000 VA127V~63 A63 A ou 70 A16 mm²
5.000 a 8.000 VA220V~36 A40 A6 mm²
8.000 a 12.000 VA127V~94 A100 A25 mm² ou 35 mm²
8.000 a 12.000 VA220V~55 A63 A10 mm² ou 16 mm²
Acima de 12.000 VA220V ou 380VCálculo trifásicoExige projetoExige projeto
📌
A coluna do cabo é referência para método B1, com condutor de cobre e isolação em PVC. O valor definitivo depende do agrupamento, da temperatura e da distância. Confira na tabela de cabos elétricos.

Quantos watts cada disjuntor suporta

Esta é a pergunta que mais chega pelo caminho inverso: em vez de calcular o disjuntor a partir da carga, a pessoa já tem o disjuntor e quer saber quanto ele aguenta. A conta é a mesma, de trás para frente: watts = amperes × volts.

DisjuntorEm 127VEm 220VUso típico
10 A1.270 W2.200 WIluminação
16 A2.032 W3.520 WTomadas de uso geral
20 A2.540 W4.400 WTomadas de cozinha, micro-ondas
25 A3.175 W5.500 WForno, torneira elétrica
32 A4.064 W7.040 WChuveiro de menor potência, ar-condicionado
40 A5.080 W8.800 WChuveiro de 7500 W, geral de casa pequena
50 A6.350 W11.000 WGeral residencial comum
63 A8.001 W13.860 WGeral de residência maior
70 A8.890 W15.400 WEntrada de residência de grande porte
100 A12.700 W22.000 WEntrada de comércio, casa em 127V com muitas cargas

Dois cuidados ao ler esta tabela. Primeiro, esses são valores máximos teóricos: na prática, projeta-se com folga, deixando o circuito trabalhar em torno de 80% da capacidade. Segundo, o número só vale se o cabo suportar a mesma corrente. Disjuntor maior que a bitola do cabo não amplia a capacidade do circuito: apenas remove a proteção.

Como dimensionar o disjuntor geral em 4 passos

1. Levante a potência total instalada

Some a potência de todos os circuitos previstos: iluminação, tomadas de uso geral, tomadas de uso específico e cada equipamento de carga pesada, como chuveiro, forno e ar-condicionado. O resultado é a potência instalada.

2. Aplique o fator de demanda

Aqui está o passo que separa o cálculo profissional do chute. Ninguém liga tudo ao mesmo tempo. O chuveiro não funciona junto com o forno, a máquina de lavar e todas as tomadas da casa simultaneamente.

O fator de demanda é um índice menor que 1, publicado por cada concessionária, que ajusta a carga instalada à realidade de uso. Sem ele, o disjuntor sairia enorme, os cabos ficariam caros e a entrada seria superdimensionada sem necessidade.

Os fatores costumam vir separados em dois grupos: um para iluminação e tomadas, que varia conforme a faixa de potência, e outro para equipamentos de aquecimento, que varia conforme a quantidade de aparelhos. Consulte a norma da concessionária da sua região, porque os valores mudam de uma para outra.

3. Divida pela tensão da rede

CORRENTE DO DISJUNTOR GERAL

Amperes = Potência demandada (VA) ÷ Tensão (V)

Use a tensão real da entrada: 127V para atendimento monofásico em regiões de 127V, ou 220V para atendimento bifásico e para regiões onde a tensão de fase já é 220V. Escolha depois o valor comercial imediatamente acima do resultado.

4. Verifique o cabo alimentador

O disjuntor protege o cabo, então o cabo alimentador precisa suportar pelo menos a corrente do disjuntor escolhido. E há uma segunda verificação, a de queda de tensão, que em percursos longos costuma exigir bitola maior que a indicada pela corrente.

Exemplo resolvido

Uma residência com os seguintes circuitos previstos:

CircuitoPotência
Iluminação1.080 VA
Tomadas sala e quartos1.270 VA
Tomadas da cozinha (4 pontos)8.000 VA
Tomadas da área de serviço1.270 VA
Micro-ondas1.556 VA
Chuveiro elétrico5.500 VA
Potência instalada18.676 VA
Infográfico com a soma das potências dos circuitos para o cálculo do disjuntor geral residencial
Soma das potências dos circuitos da residência

Aplicando os fatores de demanda, separados por grupo:

GrupoPotênciaFatorDemanda
Iluminação e tomadas11.620 VA0,445.113 VA
Aquecimento (chuveiro e micro-ondas)7.056 VA0,805.645 VA
Potência demandada  10.758 VA

Repare no tamanho da correção: a casa tem 18.676 VA instalados, mas demanda 10.758 VA. Sem o fator, o disjuntor sairia quase o dobro do necessário.

Aplicando a tensão de 220V: 10.758 ÷ 220 = 48,9 A. O valor comercial acima é o disjuntor de 50 A, bipolar, com cabo alimentador de 10 mm².

🔴 Opinião da Engehall: “Os fatores de demanda usados neste exemplo são ilustrativos. Cada concessionária publica os seus na própria norma de fornecimento, e a diferença entre uma e outra muda o resultado final. Antes de fechar um projeto, baixe a norma da distribuidora da região. É o documento que a fiscalização vai cobrar, não o artigo de blog nem a planilha herdada do colega.”

Disjuntor geral 127V x 220V: a diferença que muda tudo

A mesma casa do exemplo, alimentada em 127V em vez de 220V:

TensãoCorrenteDisjuntorCabo alimentador
220V48,9 A50 A bipolar10 mm²
127V84,7 A90 A ou 100 A25 mm² ou mais

É a mesma casa, com os mesmos equipamentos. Só a tensão mudou, e o cabo alimentador saltou de 10 mm² para 25 mm². É por isso que, em regiões atendidas em 127V, a concessionária costuma exigir entrada bifásica ou trifásica assim que a residência tem chuveiro elétrico e ar-condicionado: dividir as cargas entre fases reduz a corrente em cada uma.

Comparação da bitola do cabo e do disjuntor necessários em rede de 127V e de 220V

Em 220V, o geral é um disjuntor bipolar, que desliga as duas fases ao mesmo tempo. Sobre a alternativa de usar dois monopolares, veja 2 disjuntores monopolares ou um bipolar.

Qual disjuntor usar em cada circuito

O geral protege a instalação inteira, mas cada circuito tem o seu próprio disjuntor. Esta tabela cobre os circuitos residenciais mais comuns.

CircuitoEm 127VEm 220VCabo mínimo
💡 Iluminação10 A10 A1,5 mm²
🔌 Tomadas de uso geral16 A ou 20 A16 A2,5 mm²
🍽️ Tomadas de cozinha e área de serviço20 A16 A ou 20 A2,5 mm² ou 4 mm²
📻 Micro-ondas (~1.500 W)16 A ou 20 A10 A ou 16 A2,5 mm²
🔥 Forno elétrico (~2.500 W)25 A ou 32 A16 A ou 20 A4 mm²
🚿 Chuveiro (5500 W a 7500 W)50 A32 A a 40 A6 mm² ou 10 mm²
❄️ Ar-condicionado (9.000 a 12.000 BTU)16 A ou 20 A10 A ou 16 A2,5 mm²

Duas regras que valem para todos eles. Chuveiro, forno e ar-condicionado exigem circuito exclusivo, sem compartilhar com tomadas. E o disjuntor de cada circuito precisa ser compatível com a bitola do cabo daquele circuito, nunca maior. O cálculo detalhado do chuveiro, que é o circuito mais pesado da casa, está em qual disjuntor para chuveiro.

Queda de tensão: o inimigo invisível

Calcular a corrente resolve metade do problema. Se o quadro de distribuição estiver longe do padrão de entrada, tipicamente acima de 20 a 30 metros, o cabo consome parte da tensão ao longo do percurso e a energia chega enfraquecida.

O efeito aparece como chuveiro que esquenta menos, motor que perde força e lâmpada amarelada, mesmo com o disjuntor correto. A NBR 5410 estabelece limites percentuais de queda admissível, e o trecho entre o medidor e o quadro costuma ter um limite mais restritivo que os circuitos terminais.

📌
A regra prática: faça as duas verificações, a de corrente e a de queda de tensão, e adote sempre a maior bitola entre as duas. Se a corrente aceita 10 mm² mas a queda de tensão pede 16 mm², o cabo é de 16 mm².

O disjuntor geral não protege pessoas

Vale encerrar com o ponto que mais falta nos quadros residenciais brasileiros. O disjuntor geral protege a instalação contra sobrecarga e curto-circuito. Ele não protege ninguém contra choque elétrico: a corrente que atravessa um corpo humano é pequena demais para sensibilizá-lo.

Quem faz esse trabalho é o DR, dispositivo diferencial residual, de alta sensibilidade, 30 mA. A NBR 5410 o torna obrigatório em circuitos de banheiro, cozinha, área de serviço, garagem e tomadas externas, e desde 2026 a NR-10 passou a exigi-lo também.

Esquema de ligação do disjuntor geral e do dispositivo DR no quadro de distribuição

Entenda a diferença em disjuntor DR: tipos e como escolher. E com disjuntor e cabos definidos, o próximo passo é a montagem, detalhada em como interligar o quadro de distribuição.

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Como dimensionar o disjuntor geral?

Some a potência de todos os circuitos, aplique o fator de demanda da concessionária para chegar à potência demandada, divida pela tensão da rede e escolha o disjuntor comercial imediatamente acima do resultado. Depois verifique se o cabo alimentador suporta essa corrente e se a queda de tensão no percurso não exige bitola maior.

O que é fator de demanda?

É um índice menor que 1, publicado por cada concessionária, que ajusta a potência instalada à realidade de uso, já que nem tudo funciona ao mesmo tempo numa residência. Sem ele, o disjuntor e os cabos sairiam muito superdimensionados. Os valores mudam de uma distribuidora para outra e devem ser consultados na norma da região.

Qual disjuntor geral usar em uma casa?

Depende da carga e da tensão. Numa residência comum em 220V, o geral costuma ficar entre 40 A e 63 A. A mesma casa em 127V exigiria algo entre 80 A e 100 A. Só o cálculo com levantamento de carga e fator de demanda dá o valor correto, porque duas casas do mesmo tamanho podem ter demandas bem diferentes.

O disjuntor geral muda entre 127V e 220V?

Muda bastante. Para a mesma potência, a corrente em 127V é quase o dobro da corrente em 220V. Uma casa que precisa de disjuntor de 50 A e cabo de 10 mm² em 220V precisaria de 90 A a 100 A e cabo de 25 mm² em 127V. Por isso, em regiões de 127V, é comum a concessionária exigir entrada bifásica ou trifásica.

Um disjuntor de 50 amperes suporta quantos watts?

Em 220V, aproximadamente 11.000 W. Em 127V, cerca de 6.350 W. O cálculo é watts igual a amperes vezes volts. Na prática, projeta-se com folga, trabalhando em torno de 80% desse máximo, e o valor só vale se o cabo suportar a mesma corrente.

Um disjuntor de 63 amperes suporta quantos watts?

Em 220V, aproximadamente 13.860 W. Em 127V, cerca de 8.001 W. É a amperagem típica do geral em residências maiores alimentadas em 220V, com cabo alimentador de 16 mm².

Um disjuntor de 40 amperes suporta quantos watts?

Em 220V, aproximadamente 8.800 W. Em 127V, cerca de 5.080 W. É a amperagem usada tanto no circuito de chuveiro de 7500 W em 220V quanto como geral de residências pequenas.

Qual disjuntor usar para tomadas e lâmpadas?

Iluminação usa disjuntor de 10 A com cabo de 1,5 mm². Tomadas de uso geral usam 16 A ou 20 A com cabo de 2,5 mm². Tomadas de cozinha e área de serviço costumam usar 20 A. A norma não admite circuito de iluminação e de tomadas compartilhando o mesmo disjuntor em instalação nova.

Qual disjuntor usar para micro-ondas?

Para um micro-ondas de cerca de 1.500 W, o disjuntor é de 16 A ou 20 A em 127V, e de 10 A ou 16 A em 220V, com cabo de 2,5 mm². O ideal é que ele tenha tomada de uso específico, sem dividir o circuito com outros aparelhos da cozinha.

Qual disjuntor usar para forno elétrico?

Para um forno de cerca de 2.500 W, o disjuntor é de 25 A ou 32 A em 127V, e de 16 A ou 20 A em 220V, com cabo de 4 mm². Forno elétrico exige circuito exclusivo, porque é carga resistiva de funcionamento prolongado.

Preciso instalar DR além do disjuntor geral?

Sim. O disjuntor geral protege a instalação contra sobrecarga e curto-circuito, mas não protege pessoas contra choque, porque a corrente que atravessa um corpo é pequena demais para sensibilizá-lo. Quem faz isso é o DR de alta sensibilidade, 30 mA, obrigatório pela NBR 5410 em banheiro, cozinha, área de serviço, garagem e tomadas externas.

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