Precisamos assumir: nenhum programa de SST consegue controlar totalmente os comportamentos de risco dos colaboradores. Mais do que cumprir normas e ficar de olho no índice de acidentes de trabalho, o foco deve ser a raiz dos problemas: o comportamento humano.
Nesse sentido, quanto mais madura for a cultura de segurança, menor será a necessidade de investir em controle e supervisão ostensiva. Mas afinal, você sabe medir a maturidade da cultura de segurança da sua empresa?
Lidere a Mudança de Cultura na sua Empresa
Entender de comportamento e cultura é o que separa o técnico “entregador de EPI” do Gestor de SST estratégico. Se você quer alcançar esse nível, precisa da formação certa.
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Como tirar o planejamento de SST do papel e transformá-lo em um comportamento maduro? O primeiro passo é identificar em que pé está a cultura de segurança da organização.
Portanto, continue lendo e você vai conhecer dois métodos infalíveis (Curva de Bradley e Hearts and Minds) para diagnosticar sua empresa.
Prevenção de acidentes x Cultura de segurança
O avanço da tecnologia trouxe a modernização dos processos produtivos. Hoje a gente consegue produzir uma infinidade de produtos em um tempo muito menor que antes. Contudo, a complexidade das operações trouxe novos riscos ocupacionais.
Infelizmente, o Brasil ainda ocupa o quarto lugar no ranking mundial de acidentes do trabalho, segundo dados do Ministério do Trabalho. Mesmo com o desenvolvimento da legislação trabalhista, os indicadores ainda mostram que grande parte das empresas não tem uma gestão de segurança do trabalho eficiente.
O Ministério do Trabalho no Brasil conta hoje com 38 normas regulamentadoras que fiscalizam e padronizam os procedimentos. O Curso NR-10, por exemplo, é obrigatório para elétrica, assim como a NR-35 para altura. Mas mesmo com todo investimento e fiscalização, os indicadores de acidentes ainda preocupam.
Por que isso acontece? De fato, muitos programas de prevenção focam apenas no que a norma diz (o “papel”). Mas a verdade é que não existe lei que controle o comportamento das pessoas 100% do tempo. Você pode ter o melhor programa de prevenção, mas ele é apenas parte do processo.
A grande questão é: como mudar comportamentos de risco? A resposta pode estar na andragogia e na forma como ensinamos o adulto a perceber o risco.
Quando um profissional entra em uma empresa, ele tem um objetivo claro: garantir seu emprego. Por isso, ele se adequa à cultura organizacional. Um comportamento não pode ser analisado deslocado do seu contexto. Ou seja, um acidente de trabalho não pode ser resolvido sem antes avaliar a cultura onde ele ocorreu.
O que é cultura de segurança?
Primeiramente, o significado da palavra cultura engloba comportamentos, hábitos e padrões de um grupo. A expressão “cultura de segurança” foi usada pela primeira vez em um relatório técnico sobre o acidente nuclear de Chernobyl, em 1986.
O conceito aparece para explicar os erros organizacionais responsáveis por gerar as condições do desastre. Basicamente, é o conjunto de pensamentos, comportamentos e ações que caracterizam a segurança de uma empresa.
Para Cooper (2000), cultura de segurança pode ser definida a partir da relação de três aspectos:
- Percepções e atitudes (O que as pessoas sentem);
- Comportamento e ações (O que as pessoas fazem);
- Estrutura da Organização (O que a empresa oferece).
Pense em uma árvore. Você pode olhar apenas para suas folhas (os acidentes), mas não pode ignorar que elas dependem das raízes (a cultura). Quando direcionamos nosso olhar apenas para o colaborador que errou, nossa compreensão fica limitada.
“O colaborador apenas estava desatento e errou”. Será mesmo este um diagnóstico satisfatório? Todo gestor quer reduzir acidentes, mas a pergunta certa não é “Como aconteceu?”, mas sim “O que fundamenta esse comportamento?”.
2 Métodos de Avaliação da Maturidade (Comparativo)
Para entender o nível de maturidade, você precisa de um diagnóstico. Muitas metodologias surgiram, mas as mais usadas no Brasil são a Curva de Bradley e o Hearts and Minds.
Para facilitar sua visualização, preparamos uma tabela comparativa entre os dois métodos:
| Nível de Maturidade | Visão Curva de Bradley (Dupont) | Visão Hearts and Minds (Shell) | Características Principais |
|---|---|---|---|
| Baixa Maturidade | Estágio Reativo | Patológico / Reativo | Segurança é vista como “azar” ou apenas burocracia. Só agem após o acidente. |
| Maturidade Média | Estágio Dependente | Calculativo | Foco em números e regras. “Temos muitos sistemas”, mas pouca alma. Funciona na base da supervisão. |
| Alta Maturidade | Estágio Independente | Proativo | O indivíduo se cuida sem ninguém mandar. A liderança se antecipa aos problemas. |
| Excelência | Estágio Interdependente | Generativo | “Cuidamos uns dos outros”. Segurança é valor intrínseco, não prioridade (prioridades mudam, valores não). |
Entendendo a Curva de Bradley
Criada em 1995 pela DuPont, ela se baseia na evolução dos hábitos. Observou-se que o índice de acidentes diminui drasticamente conforme a empresa evolui do estágio Reativo (instinto natural), passando pelo Dependente (supervisão), Independente (autocuidado) até chegar ao Interdependente (cuidado em equipe).
Entendendo o Hearts and Minds
Desenvolvido pela Shell, traz cinco níveis. O destaque vai para o nível Calculativo, onde a empresa tem muitos papéis e sistemas, mas pouca cultura real (“segurança de papel”), e o nível Generativo, onde a segurança está no DNA do negócio.
Eleve o Nível da sua Cultura de Segurança com Treinamentos de Qualidade
Uma cultura madura exige capacitação constante. Na Engehall, oferecemos a solução completa para sua gestão:
NR1 – Gerenciamento de Riscos (GRO/PGR)
NR10 – Segurança em Eletricidade
NR35 – Trabalho em Altura
NR05 – CIPA
NR17 – Ergonomia
E todas as normas regulamentadoras essenciais.
Como aplicar os métodos de avaliação?
Em resumo, isso é feito por meio de diagnósticos, entrevistas e avaliações comportamentais. É importante avaliar desde a diretoria até o chão de fábrica. Índices de acidentes (reativos) não são suficientes para avaliar a cultura. O foco deve estar nos indicadores proativos.
O papel do líder na cultura de segurança
Acima de tudo, não existe cultura de segurança madura sem o envolvimento da liderança. Não é o colaborador que determina o nível de maturidade da empresa, é o exemplo que vem de cima.
Quando o colaborador percebe que a segurança é um valor inegociável para o chefe, ele segue o mesmo ritmo. Por outro lado, se o líder ignora a norma para “ganhar tempo”, a cultura desmorona.
A gestão de segurança é, sobretudo, uma gestão de pessoas. O “X” da questão está no que o colaborador faz quando ninguém está olhando. Essa é a melhor definição de cultura.
A boa notícia é que a cultura é mutável. Se você chegou até aqui, já deu o primeiro passo para a inovação. Você pode buscar suporte de quem entende do assunto.
Para VOCÊ (Profissional)
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