Você ainda está procurando informações sobre como elaborar o PPRA? Antes de mais nada, é fundamental esclarecer uma mudança drástica na legislação trabalhista brasileira. Se você é gestor ou profissional de SST, precisa saber que o antigo Programa de Prevenção de Riscos Ambientais evoluiu.
Primeiramente, se você quer dominar não apenas essa mudança, mas todas as Normas Regulamentadoras, recomendamos que conheça nossa formação completa.
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Nesse sentido, preparamos este artigo completo para explicar o legado do PPRA, o motivo de sua substituição pelo PGR e como você deve proceder a partir de agora. Inegavelmente, a segurança do trabalho mudou, e sua empresa não pode ficar para trás.

O que era o PPRA? (Contexto Histórico)
O PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) foi, por décadas, o principal programa de gestão de SST no Brasil, regido pela antiga redação da NR-09. Com o intuito de preservar a saúde e a integridade dos trabalhadores, ele visava antecipar, reconhecer, avaliar e controlar riscos ambientais.
Por conseguinte, o foco do PPRA era estritamente voltado para três tipos de riscos:
- Físicos (ruído, calor, vibração);
- Químicos (poeiras, fumos, névoas);
- Biológicos (vírus, bactérias).
Embora tenha sido eficiente por muito tempo, o PPRA deixava uma lacuna enorme. Visto que não abordava riscos ergonômicos e de acidentes (mecânicos), a gestão de segurança acabava ficando fragmentada.
O Fim do PPRA e a Chegada do PGR
Surpreendentemente para alguns, mas esperado por especialistas, o PPRA deixou de existir oficialmente em 3 de janeiro de 2022. Dessa forma, entrou em vigor o novo texto da NR-01, instituindo o GRO (Gerenciamento de Riscos Ocupacionais) e o seu braço material: o PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos).
Em virtude de modernizar a legislação, o governo extinguiu a obrigatoriedade do PPRA. Ou seja, hoje nenhuma empresa deve elaborar um “novo PPRA”. O documento vigente e obrigatório é o PGR.
Para entender profundamente essa nova diretriz, sugerimos a leitura do nosso artigo detalhado:
👉 PGR na Prática: Guia Completo de Gerenciamento de Riscos | Engehall
PPRA vs. PGR: Qual a Diferença Real?
A confusão é comum. Afinal, se ambos servem para prevenir riscos, o que mudou na prática? Só para ilustrar, preparamos uma tabela comparativa que demonstra a evolução da abrangência da segurança.
Tabela Comparativa: Do PPRA ao PGR
| Característica | Antigo PPRA (NR-09) | Novo PGR (NR-01) |
|---|---|---|
| Foco Principal | Riscos Ambientais (Higiene Ocupacional). | Gerenciamento de Riscos Ocupacionais Global. |
| Riscos Cobertos | Físicos, Químicos e Biológicos. | Físicos, Químicos, Biológicos, Ergonômicos e de Acidentes. |
| Estrutura Base | Documento base + Cronograma. | Inventário de Riscos + Plano de Ação. |
| Renovação | Anual (obrigatória). | Contínua (revisão a cada 2 anos ou quando houver mudanças). |
| Vínculo | Isolado (muitas vezes documento de gaveta). | Integrado ao GRO e outras NRs. |
Como resultado dessa tabela, percebe-se que o PGR é muito mais robusto. Além disso, ele exige uma gestão viva, não apenas um papel para apresentar ao fiscal.
A Importância do Histórico do PPRA
“Mas, se o PPRA acabou, posso jogar os antigos fora?” De jeito nenhum!
Ainda que o PGR seja o documento atual, o histórico do PPRA deve ser guardado por, no mínimo, 20 anos. Isto é, para fins previdenciários e comprovação de tempo especial para aposentadoria, o INSS pode solicitar documentos de períodos anteriores a 2022.
Nesse hiato entre a vigência do PPRA e a entrada do PGR, as informações contidas nos documentos antigos são a prova legal da exposição (ou não) do trabalhador aos riscos.
Se o assunto é aposentadoria especial e laudos técnicos, a confusão aumenta. Por isso, é vital distinguir os programas de gestão dos laudos técnicos. Para esclarecer essas dúvidas, confira nossos guias:
- Para fins de aposentadoria: 👉 LTCAT: O que é, Validade e Diferença para o LIP
- Para insalubridade e periculosidade: 👉 LTIP: O que é, para que serve e a diferença do LTCAT
A Estrutura do PGR (O Sucessor do PPRA)
Já que o PPRA foi substituído, como deve ser o PGR? Em síntese, ele deve conter dois documentos principais:
- Inventário de Riscos: Onde você identifica os perigos e avalia os riscos.
- Plano de Ação: Onde você define as medidas de controle (similar ao antigo cronograma do PPRA, mas mais detalhado).
Ademais, o PGR deve estar conectado com o controle de saúde dos trabalhadores. Anteriormente, falava-se muito na conexão PPRA x PCMSO. Agora, essa conexão é PGR x PCMSO e ela precisa ser ainda mais forte.
Para entender essa integração vital para a saúde do colaborador, leia:
👉 PGR e PCMSO: O Guia Definitivo de Integração para Gestores de SST
Passo a Passo para a Migração
Se sua empresa ainda tem um PPRA “vencido” ou está perdida na transição, siga este roteiro. Certamente, isso evitará multas e problemas jurídicos.
- Encerre o PPRA: Faça um termo de encerramento do último PPRA vigente até jan/2022.
- Realize o Levantamento Preliminar de Perigos: Olhe para riscos que o PPRA ignorava (ergonômicos e mecânicos).
- Elabore o Inventário de Riscos: Classifique o nível de risco (Probabilidade x Severidade).
- Crie o Plano de Ação: Defina o que será feito para controlar os riscos.
Sobretudo, lembre-se que documentos como o LIP podem ser necessários dependendo do cenário para justificar adicionais em folha de pagamento.
👉 Laudo de Insalubridade e Periculosidade – LIP [GUIA COMPLETO]
Impactos no Fator Acidentário de Prevenção (FAP) e SAT
Um erro na migração do PPRA para o PGR pode custar caro. Por causa de inconsistências nas informações enviadas ao eSocial (evento S-2240), sua empresa pode ser tributada incorretamente.
O gerenciamento incorreto impacta diretamente o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT). Portanto, ter um PGR bem estruturado não é apenas burocracia, é inteligência financeira.
Entenda mais sobre a responsabilidade financeira e penal aqui:
👉 Seguro de acidentes de trabalho: a responsabilidade penal dos gestores
Conclusão
Em conclusão, o PPRA cumpriu seu papel, mas o PGR trouxe uma evolução necessária para a SST no Brasil. Não apenas focando na higiene ocupacional, mas olhando para o trabalhador de forma completa.
Dessa maneira, não procure mais modelos de PPRA na internet. Foque em construir um PGR robusto. A fim de se tornar um especialista e liderar essa nova era da prevenção, o conhecimento técnico é sua melhor ferramenta.
Por fim, reforçamos o convite para você dominar todas as NRs com a gente.



