Engenheiro Eletricista e Especialista em Segurança do Trabalho
CREA-MG 172.438/D | Atualizado em Agosto/2026
Um cabo de 2,5 mm² suporta 24 A, o de 4 mm² suporta 32 A, o de 6 mm² suporta 41 A e o de 10 mm² suporta 57 A. Esses valores valem para a condição mais comum em residências: cabo de cobre com isolação em PVC, dois condutores carregados, dentro de eletroduto embutido em alvenaria, que é o método B1 da NBR 5410. Mudando o método de instalação ou juntando vários circuitos no mesmo eletroduto, a capacidade cai. A tabela completa, de 1,5 mm² a 95 mm², está logo abaixo.
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💡 Resumo Rápido
- 📊 Tabela completa de 1,5 mm² a 95 mm², com a amperagem e o disjuntor compatível de cada bitola.
- 📉 Por que o mesmo cabo muda: método de instalação e agrupamento reduzem a capacidade.
- 🧮 Os 5 passos do dimensionamento pela NBR 5410, com exemplo resolvido.
- 📏 Mínimos da norma: 1,5 mm² para iluminação e 2,5 mm² para tomadas.
- 📐 Queda de tensão: por que distância longa exige cabo mais grosso do que a conta indica.
- ⚠️ Cabo desbitolado: como identificar e por que ele é causa comum de incêndio.
Tabela de cabos elétricos: quantos amperes cada bitola suporta
Esta é a tabela de consulta rápida. Os valores consideram cobre, isolação em PVC a 70 °C, dois condutores carregados e método B1, que é o eletroduto embutido em alvenaria, a situação mais frequente em residências.
| Bitola | Corrente máxima | Disjuntor compatível | Aplicação típica |
|---|---|---|---|
| 1,5 mm² | 17,5 A | 10 A ou 16 A | Iluminação. É o mínimo da norma para esse uso |
| 2,5 mm² | 24 A | 16 A ou 20 A | Tomadas de uso geral. Mínimo da norma para tomadas |
| 4 mm² | 32 A | 25 A ou 32 A | Torneira elétrica, forno, chuveiro de menor potência em 220V |
| 6 mm² | 41 A | 32 A ou 40 A | Chuveiro de 7500W em 220V, ar-condicionado de maior porte |
| 10 mm² | 57 A | 40 A ou 50 A | Chuveiro em 127V, entrada de energia monofásica |
| 16 mm² | 76 A | 63 A ou 70 A | Alimentador de quadro secundário, entrada bifásica |
| 25 mm² | 101 A | 80 A ou 100 A | Ramal de entrada, alimentação de quadro de grande porte |
| 35 mm² | 125 A | 100 A ou 125 A | Entrada trifásica, alimentadores prediais |
| 50 mm² | 151 A | 125 A ou 150 A | Entrada de comércio e pequena indústria |
| 70 mm² | 192 A | 160 A ou 175 A | Alimentadores industriais, subestações de menor porte |
| 95 mm² | 232 A | 200 A ou 225 A | Alimentadores de grande porte |
Por que o mesmo cabo muda de capacidade
Aqui está o que separa quem consulta a tabela de quem sabe usá-la. Os valores acima não são fixos. Eles caem conforme o calor tem mais ou menos facilidade para sair do cabo.
Veja o que acontece com o mesmo cabo de 6 mm², que a tabela indica como 41 A:
| Situação | Capacidade real |
|---|---|
| ✅ Circuito sozinho no eletroduto | 41 A, o valor de tabela |
| ⚠️ Dois circuitos no mesmo eletroduto (fator 0,80) | 32,8 A |
| ⚠️ Três circuitos no mesmo eletroduto (fator 0,70) | 28,7 A |
| 🔴 Circuito trifásico, com 3 condutores carregados | 36 A, antes mesmo do agrupamento |
Repare o tamanho da diferença: o mesmo cabo de 6 mm² pode valer 41 A ou 28,7 A dependendo de quantos vizinhos ele tem dentro do conduíte. Quem dimensiona um chuveiro de 40 A olhando só a linha da tabela, sem verificar o que mais passa naquele eletroduto, pode estar 11 amperes acima do limite real.
Três variáveis fazem os valores mudarem:
- Método de instalação: cabo aparente dissipa calor melhor que cabo embutido, e por isso conduz mais.
- Número de condutores carregados: circuito monofásico tem 2, trifásico tem 3, e mais condutores significa mais calor no mesmo espaço.
- Agrupamento: vários circuitos no mesmo eletroduto se aquecem mutuamente, e aí entra o fator de redução.
Como dimensionar cabos elétricos em 5 passos
A NBR 5410 define pisos mínimos que valem sempre, independentemente do cálculo: 1,5 mm² para iluminação e 2,5 mm² para circuitos de tomadas. Abaixo disso não se instala, mesmo que a conta permita.
A partir daí, o dimensionamento segue cinco etapas.

1. Calcule a corrente do circuito
Divida a potência em watts pela tensão em volts. Um forno de 2.500 W em 127 V puxa 2.500 ÷ 127 = 19,7 A. O mesmo forno em 220 V puxaria 11,4 A, quase metade, porque quanto maior a tensão, menor a corrente para a mesma potência.

2. Identifique o método de instalação
Cada forma de instalar o cabo tem um código na norma. O mais comum em residências é o método B1, que corresponde a condutores isolados dentro de eletroduto embutido em alvenaria. É a condição usada na tabela deste guia.
3. Conte os condutores carregados
Circuito monofásico, com fase e neutro, tem 2 condutores carregados. Circuito trifásico tem 3. O condutor de proteção, o terra, não entra na conta, porque em condição normal não conduz corrente.
4. Verifique a isolação
Residências usam quase sempre cabo com isolação em PVC, que trabalha até 70 °C. Existem isolações em EPR e XLPE, que suportam 90 °C e por isso conduzem mais corrente na mesma bitola. Custam mais e aparecem em instalação industrial.
5. Aplique o fator de agrupamento
Este é o passo que mais se esquece. Vários circuitos no mesmo eletroduto trocam calor entre si, então a norma manda reduzir a capacidade de cada um:
| Circuitos no mesmo eletroduto | Fator de redução | Cabo de 6 mm² passa a valer |
|---|---|---|
| 1 | 1,00 | 41,0 A |
| 2 | 0,80 | 32,8 A |
| 3 | 0,70 | 28,7 A |
| 4 | 0,65 | 26,6 A |
| 5 | 0,60 | 24,6 A |
| 6 | 0,57 | 23,4 A |
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Exemplo resolvido: cabo para um forno elétrico
Um forno de 2.500 W será instalado em 127 V, num eletroduto embutido que já leva outros dois circuitos. Qual bitola usar?
| Etapa | Conta |
|---|---|
| Corrente do circuito | 2.500 W ÷ 127 V = 19,7 A |
| Candidato pela tabela | 2,5 mm², que suporta 24 A |
| Agrupamento, 3 circuitos | 24 A × 0,70 = 16,8 A |
| Verificação | 16,8 A é menor que 19,7 A. O cabo de 2,5 mm² não serve |
| Próxima bitola | 4 mm²: 32 A × 0,70 = 22,4 A. Maior que 19,7 A. Atende |
Sem o passo do agrupamento, a resposta teria sido 2,5 mm², e o circuito trabalharia acima da capacidade real do cabo todos os dias. É esse tipo de detalhe que separa a instalação que dura da que dá problema em cinco anos.
Queda de tensão: quando o cabo certo ainda é fino demais
Existe uma segunda verificação que a tabela não cobre e que derruba instalação aparentemente correta.
Todo cabo tem resistência, e essa resistência consome parte da tensão ao longo do percurso. Em distância curta o efeito é desprezível. A partir de 20 a 30 metros entre o quadro e o aparelho, ele começa a aparecer: o chuveiro esquenta menos, o motor perde força, a lâmpada fica amarelada.
Nesses casos, a bitola precisa aumentar mesmo o cabo estando aprovado pela corrente. O cabo não corre risco de aquecer: o problema é que a energia chega enfraquecida na ponta. A NBR 5410 estabelece limites percentuais de queda admissível, e circuitos longos precisam ser verificados por esse critério além do de corrente.
Cuidado com o cabo desbitolado
Todo o cálculo deste guia parte de uma premissa: que o cabo comprado tem de fato a bitola escrita na embalagem. Nem sempre tem.
Cabo desbitolado é aquele que traz menos cobre do que declara. Um rolo vendido como 2,5 mm² pode ter 1,9 mm² de seção real. O cálculo do projeto continua correto no papel, mas a instalação inteira passa a operar acima do limite, sem que ninguém perceba até o aquecimento aparecer.
Como reduzir esse risco: comprar de marcas com certificação do Inmetro, desconfiar de preço muito abaixo do mercado, verificar se a impressão na capa traz fabricante, bitola, tensão de isolamento e o selo de certificação, e comparar o peso do rolo com o do concorrente, já que cobre a menos significa rolo mais leve.
Central de Dúvidas sobre Cabos Elétricos
1,5 mm² · 2,5 mm² · 4 mm² · 6 mm² · 10 mm² · 16 mm² · 25 mm² · 35 mm² e 50 mm²
🧮 Dimensionamento
Como dimensionar? · Qual a bitola mínima? · Muda em 220V? · O que é fator de agrupamento? · Qual disjuntor para cada cabo?
Quantos amperes suporta um cabo de 1,5 mm²?
17,5 A, considerando cobre, isolação em PVC, dois condutores carregados e método B1. É a bitola mínima permitida pela NBR 5410 para circuitos de iluminação, e não pode ser usada em circuitos de tomadas.
Quantos amperes suporta um cabo de 2,5 mm²?
24 A nas mesmas condições de referência. É a bitola mínima da norma para circuitos de tomadas. Com três circuitos no mesmo eletroduto, o fator de agrupamento reduz esse valor para 16,8 A.
Quantos amperes suporta um cabo de 4 mm²?
32 A nas condições de referência. É a bitola usada em torneira elétrica, forno e chuveiro de menor potência em 220V. Com dois circuitos agrupados, cai para 25,6 A.
Quantos amperes suporta um cabo de 6 mm²?
41 A nas condições de referência. É a bitola típica do chuveiro de 7500 W em 220V, que puxa 34 A. Com três circuitos no mesmo eletroduto, a capacidade cai para 28,7 A, o que já não atenderia esse chuveiro.
Quantos amperes suporta um cabo de 10 mm²?
57 A nas condições de referência. Aparece em chuveiro ligado em 127V, que puxa corrente bem maior, e em entrada de energia monofásica.
Quantos amperes suporta um cabo de 16 mm²?
76 A nas condições de referência. É usado em alimentador de quadro secundário e em entrada de energia bifásica, com disjuntor compatível de 63 A ou 70 A.
Quantos amperes suporta um cabo de 25 mm²?
101 A nas condições de referência. Aparece em ramal de entrada e na alimentação de quadros de maior porte, com disjuntor de 80 A ou 100 A.
Quantos amperes suportam os cabos de 35 mm² e 50 mm²?
O cabo de 35 mm² suporta 125 A e o de 50 mm² suporta 151 A, nas condições de referência. São bitolas de entrada trifásica, alimentadores prediais e instalações comerciais. Em circuitos desse porte, a verificação por queda de tensão costuma ser tão determinante quanto a de corrente.
Como dimensionar um cabo elétrico?
Calcule a corrente dividindo a potência pela tensão, identifique o método de instalação, conte os condutores carregados, verifique o tipo de isolação e aplique o fator de agrupamento. Só então compare com a tabela e escolha a bitola cuja capacidade corrigida seja maior que a corrente do circuito.
Qual a bitola mínima permitida pela norma?
A NBR 5410 exige no mínimo 1,5 mm² em circuitos de iluminação e 2,5 mm² em circuitos de tomadas. Esses são pisos absolutos: mesmo que o cálculo de corrente permita algo menor, a norma não admite.
A capacidade do cabo muda em 220V?
A capacidade do cabo em amperes não muda com a tensão. O que muda é a corrente do aparelho: o mesmo equipamento em 220V puxa cerca de metade da corrente que puxaria em 127V. Por isso, em 220V costuma ser possível usar bitola menor para a mesma potência.
O que é fator de agrupamento?
É a redução aplicada à capacidade do cabo quando vários circuitos compartilham o mesmo eletroduto e se aquecem mutuamente. Para dois circuitos o fator é 0,80, para três é 0,70, para quatro 0,65 e para cinco 0,60. A capacidade da tabela deve ser multiplicada por esse fator.
Qual disjuntor usar para cada bitola de cabo?
Como referência: até 16 A para 1,5 mm², até 20 A para 2,5 mm², até 32 A para 4 mm², até 40 A para 6 mm², até 50 A para 10 mm² e até 70 A para 16 mm². A regra é que a corrente do disjuntor fique entre a corrente do circuito e a capacidade do cabo, porque o disjuntor existe para proteger a fiação.
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