Aterramento estrutural – Um eletricista profissional deve saber?

aterramento estrutural

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Resumo do Artigo: Neste artigo, você vai aprender:
    • O que é aterramento estrutural e por que ele é superior às hastes convencionais;
    • Estudo de caso real: Como conectamos 54 estacas de fundação;
    • O uso correto do REBAR e grampos de conexão;
    • A diferença crucial entre usar um multímetro e um miliohmímetro nos testes.

Muitos eletricistas ainda torcem o nariz quando o assunto é aterramento estrutural. Seja por desconhecimento ou medo de “mexer na estrutura” da obra, acabam optando pelo método tradicional de cravar hastes no jardim. No entanto, se você quer ser um eletricista profissional de sucesso e ter o reconhecimento que merece, é preciso investir no seu diferencial.

Entender a fundo o aterramento estrutural não é apenas uma “opção”, é um divisor de águas na qualidade técnica da sua entrega. Afinal, por que desperdiçar toneladas de aço e concreto que já estão enterrados, se eles podem ser o melhor eletrodo de aterramento possível?

Dito isto, separamos um conteúdo exclusivo — baseado em uma obra real — cheio de dicas práticas. Hoje, vamos desmistificar essa técnica e te mostrar o passo a passo.

aterramento estrutural
Aterramento estrutural – Um conteúdo exclusivo sobre porque um eletricista profissional deve entender mais sobre essa prática.

O que é Aterramento Estrutural e por que usar?

Antes de entrarmos na obra, vamos alinhar o conceito. O aterramento estrutural consiste em utilizar as próprias ferragens da fundação (vigas, sapatas, estacas broca) como eletrodos de dispersão para a terra. Diferente do aterramento residencial tradicional com hastes cobreadas, aqui aproveitamos a estrutura física do imóvel.

Para facilitar sua decisão, veja este comparativo:

Comparativo: Aterramento Convencional x Estrutural
CaracterísticaConvencional (Hastes)Estrutural (Fundação)
Custo de MaterialMédio (Cobre é caro)Baixo (Usa o aço da obra)
Resistência OhmicaVariável (Depende muito do solo)Geralmente muito baixa (Grande área de contato)
Vida ÚtilMédia (Hastes podem oxidar)Alta (Protegido pelo concreto)
DificuldadeBaixaMédia (Exige acompanhamento na obra)

Agora vem a pergunta de um milhão de reais: Qual você acha melhor?

    • Opção A: Cravar 3 hastes próximo ao padrão e interligar ao neutro;
    • Opção B: Usar todas as ferragens da casa como eletrodos e interligar tudo em um BEP.

A resposta técnica tende fortemente para a Opção B (ou uma combinação das duas). Vamos ver na prática como isso é feito.

Estudo de Caso: Detalhes da fundação desta obra

Nesta obra que estamos acompanhando, a fundação utiliza estacas broca com mais de 9 metros de profundidade. Logicamente, teremos vigas de baldrame espalhadas por toda a área. Ao todo, são 54 estacas broca que já foram perfuradas, receberam as ferragens e foram concretadas.

Essa estrutura será completamente interligada às vigas de baldrame. Se somarmos tudo, temos mais de 500 metros lineares de ferragem encapsulada em concreto e em contato íntimo com a terra. Isso tende a nos dar uma resistência de aterramento baixíssima, muito melhor do que qualquer conjunto de hastes isoladas.

O segredo da conexão: O uso do REBAR

Para garantir que o nosso sistema elétrico se conecte eficientemente a essa montanha de ferro, optamos por usar o sistema conhecido como “REBAR”. Mas o que é isso?

Trata-se de vergalhões redondos, galvanizados a fogo, com espessura de 8mm e 4 metros de comprimento. Eles funcionam como a “ponte” entre a ferragem estrutural (que ficará escondida) e o nosso sistema de proteção (que ficará acessível).

Para fixá-los na ferragem, usamos grampos tipo U adequados à espessura de ambos os ferros. O serviço é mecanicamente simples, mas exige atenção aos apertos. Além disso, dobramos o nosso REBAR em um ponto estratégico: exatamente na parede onde será instalado o QGBT (Quadro Geral de Baixa Tensão). Assim, nosso aterramento estrutural irá se conectar diretamente ao BEP deste quadro, facilitando a implementação do Esquema de Aterramento TN-S.

grampos tipo U.

Testes de Continuidade: Multímetro x Miliohmímetro

Aqui entra um ponto onde muitos profissionais erram. Estamos acompanhando o processo de “amarrio” das estruturas, feito com arame recozido. Visualmente, parece tudo conectado. Mas eletricamente, será que está?

Para nos ajudar nessa missão, convidei um profissional que admiro muito, o Leonardo Letech. Ele trouxe os equipamentos corretos para a validação.

Dúvida Crucial: “Posso usar meu multímetro comum para testar a continuidade da fundação?”

A resposta curta é: Não confie apenas nele. Infelizmente, devido à distância entre os pontos da malha e a baixa corrente que o multímetro injeta, a leitura pode ser imprecisa ou instável. Para garantir que a estrutura é eletricamente contínua conforme a norma, o ideal é utilizar um miliohmímetro ou microhmímetro.

Esses aparelhos injetam uma corrente mais alta e conseguem ler resistências baixíssimas, garantindo que o “amarrio” com arame está realmente conduzindo eletricidade de um ponto ao outro da casa.

⚠️ SEGURANÇA EM PRIMEIRO LUGAR: NR-10

Trabalhar com aterramento e medições exige conhecimento sobre riscos elétricos. Você sabia que erros nessa etapa podem comprometer toda a segurança da instalação?

Para manter seu trabalho com a qualidade e segurança de um eletricista de verdade, o certificado NR-10 é indispensável.

 

Baixe aqui o Resumo Completo da NR-10 Atualizada (PDF)

Principais dúvidas sobre Aterramento Estrutural

Durante a execução, é natural surgirem questionamentos. Selecionamos as três principais dúvidas que recebemos no canal da Engehall.

1. É obrigatório usar o miliohmímetro sempre?

Pergunta: “Para fazer um aterramento assim, toda vez irei precisar do mili ou microhmímetro? Ou apenas uma inspeção visual basta?”

Resposta: A norma recomenda que a conexão seja durável e contínua. Se você fizer uma inspeção visual minuciosa e garantir que as amarrações estão firmes, pode prosseguir. A responsabilidade técnica é sua. No entanto, o teste com equipamento adequado é a única forma de ter 100% de certeza, especialmente em grandes obras. Se não tiver o equipamento, capriche na inspeção visual e nas conexões mecânicas.

2. Preciso usar o terrômetro depois de pronto?

Pergunta: “Depois de todo serviço pronto, eu preciso fazer a medição da resistência com o terrômetro?”

Resposta: Sim, é altamente recomendado. O objetivo é buscar uma resistência de aterramento a mais baixa possível. Nesta obra específica, optamos por não medir ainda, pois a construção vai continuar (teremos mais quadros e a estrutura superior será conectada). Quando a obra estiver mais avançada, usaremos o terrômetro. Quer saber como usar esse aparelho? Veja nosso guia sobre como medir a resistência de aterramento.

3. A obra já está concretada, ainda tem jeito?

Pergunta: “Digamos que toda fundação já foi concretada. Posso quebrar uma viga para acessar o ferro e aterrar?”

Resposta: Para a surpresa de muitos, é possível sim. Porém, isso exige cuidados extremos. Você não pode sair quebrando vigas aleatoriamente. É necessário o acompanhamento de um engenheiro civil ou técnico em edificações para não comprometer a estrutura. Para situações provisórias, usamos o aterramento temporário, mas para o definitivo em obra pronta, temos uma aula específica:

Conclusão: Eleve o nível do seu serviço

Em resumo, o aterramento estrutural é uma técnica robusta, segura e econômica, que utiliza o que a obra já tem de melhor: sua fundação. Com essa aula, esperamos que você tenha perdido o medo de integrar a elétrica com a civil.

Agora, se você percebeu que precisa investir em mais conhecimento técnico para aumentar sua renda mensal, montar sua empresa e parar de perder obras para “zé faísca”, nós temos a solução.

O Curso de Eletricista Profissional da Engehall é o passaporte para você ficar à frente dos concorrentes. Não perca mais tempo improvisando:

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Um grande abraço e até o próximo conteúdo!