DPS: o que é, para que serve e quando é obrigatório na instalação elétrica

Imagem com fundo azul e elementos gráficos de dois servidores com selo “Classe II”, ilustração de um raio e texto “DPS: o que é e quando é obrigatório”, com marca EngelHall ao canto inferior direito.

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Marlon Pascoal Pinto, engenheiro eletricista e de segurança do trabalho
Marlon Pascoal Pinto
Engenheiro Eletricista e de Segurança do Trabalho · CREA-MG 172.438/D · Atualizado em novembro/2026

DPS é a sigla de Dispositivo de Proteção contra Surtos. Ele protege a instalação elétrica e os aparelhos ligados a ela contra os picos de tensão causados por raios e por manobras da rede, desviando o excesso de energia para o aterramento em uma fração de segundo. Pela NBR 5410, o DPS é obrigatório quando a instalação é alimentada por rede aérea em região com mais de 25 dias de trovoada por ano, situação da maior parte das casas brasileiras. Neste guia você vê como ele funciona, as classes 1, 2 e 3, onde instalar e a diferença entre DPS, DR e filtro de linha.

DPS em 6 pontos
⚡Protege: aparelhos e instalação contra surtos de tensão de raios e de manobras da rede
👤Não protege: pessoas contra choque. Quem faz isso é o DR
📋Obrigatório: NBR 5410, item 5.4.2.1.1, para rede aérea em região com mais de 25 dias de trovoada por ano
🏠Onde fica: no quadro principal, o mais perto possível da entrada de energia
🌍Depende de: aterramento. Sem condutor de proteção ligado, o DPS não tem para onde desviar o surto
🔁Tem vida útil: depois de um surto forte pode precisar de troca, e a norma exige sinalização de falha

O que é DPS

O DPS, Dispositivo de Proteção contra Surtos, é um componente instalado no quadro de distribuição que fica em espera durante todo o tempo e só age quando aparece um surto. Surto, ou sobretensão transitória, é um pico de tensão muito alto e muito curto, que dura microssegundos, mas carrega energia suficiente para queimar a placa eletrônica de uma TV, de uma geladeira ou de um portão automático.

Esses surtos têm duas origens principais:

  • Raios. Um raio que cai na edificação, na rede ou mesmo perto dela induz tensões altíssimas nos condutores. O Brasil é o país com maior incidência de raios do mundo, segundo o Grupo de Eletricidade Atmosférica do INPE.
  • Manobras da rede. Chaveamentos feitos pela distribuidora e a volta da energia depois de uma queda também geram picos que chegam à instalação.

Como o DPS funciona

Em condição normal, o DPS se comporta como um circuito aberto: praticamente não conduz corrente e não interfere em nada. Quando a tensão passa de um limite, o componente interno, em geral um varistor ou um centelhador a gás, muda de estado em microssegundos e passa a conduzir. O surto encontra ali um caminho mais fácil e é desviado para o condutor de proteção e, dele, para o aterramento, em vez de seguir para os aparelhos.

Passado o pico, o DPS volta ao estado de espera. Por isso uma coisa é inegociável: o DPS precisa estar ligado ao condutor de proteção e a um aterramento que funcione. Sem isso, ele fica no quadro sem ter para onde mandar o surto.

Classes de DPS: 1, 2 e 3

Os DPS são divididos em classes, também chamadas de tipos, conforme a energia que suportam e o ponto da instalação onde trabalham. Eles funcionam em cascata: o de classe mais alta segura a maior parte da energia na entrada, e os seguintes fazem a proteção mais fina perto dos equipamentos.

ClasseContra o quêOnde ficaQuando usar
🌩️ Classe IEfeitos diretos do raio. Ensaiado com onda de corrente 10/350 µsEntrada de energia da edificaçãoEdificações com para-raios (SPDA) e locais muito expostos
🏠 Classe IISurtos induzidos e conduzidos pela rede. Ensaiado com onda 8/20 µsQuadro de distribuiçãoA maioria das residências e dos comércios sem SPDA
🖥️ Classe IIISurtos residuais que passaram pelos anterioresPerto do equipamento sensívelEquipamentos a mais de 30 m do DPS de entrada

Existe também o DPS classe I+II, que reúne as duas proteções num mesmo produto. A escolha e o dimensionamento, com tensão máxima de operação, corrente de descarga e nível de proteção compatíveis com a instalação, são trabalho do eletricista ou do projetista. Para entender a fundo o DPS de entrada, veja nosso guia sobre o DPS classe 1 e a proteção contra raios.

Quando o DPS é obrigatório: o que diz a NBR 5410

A NBR 5410, norma da ABNT para instalações elétricas de baixa tensão, trata do tema na seção de proteção contra sobretensões transitórias. Pelo item 5.4.2.1.1, a proteção é exigida em duas situações:

  • Condição AQ2: instalação alimentada total ou parcialmente por linha aérea, ou que tenha ela própria linha aérea, em região com mais de 25 dias de trovoada por ano;
  • Condição AQ3: instalação, ou parte dela, situada no exterior e exposta a descargas atmosféricas diretas.

A norma admite omitir a proteção quando as consequências seriam apenas materiais e o risco é calculado e assumido, mas não quando o surto pode afetar a segurança ou a saúde das pessoas. Pelo item 5.4.2.1.2, a proteção é feita com DPS ou com outro meio que garanta condições equivalentes. E o item 5.4.2.2 estende a exigência às linhas de sinal, como telefone, dados e antena.

Na prática, a maior parte das casas brasileiras é alimentada por rede aérea e fica em regiões com muitos dias de trovoada. Ou seja, na maioria dos casos o DPS não é opcional.

Onde e como o DPS é instalado

O item 6.3.5.2 da NBR 5410 trata da localização e da ligação do DPS. Os pontos principais:

  • Perto da entrada. O DPS fica junto ao ponto de entrada da linha na edificação ou no quadro principal, o mais próximo possível desse ponto.
  • Casas existentes. Em casas já construídas atendidas em baixa tensão, ele pode ficar junto à caixa de medição, desde que a barra de proteção esteja ligada ao barramento de equipotencialização principal e a caixa esteja a no máximo 10 m do ponto de entrada.
  • Proteção do próprio DPS. Como uma falha interna do DPS pode provocar curto-circuito, ele precisa de um dispositivo de proteção a montante, com corrente nominal igual ou menor que a indicada pelo fabricante.
  • Sinalização de falha. Quando o DPS deixa de proteger, isso precisa ser sinalizado, por um indicador de estado no próprio dispositivo ou pelo dispositivo de proteção separado.
  • Condutor de proteção. No ponto de entrada, a ligação ao condutor de proteção usa cobre de no mínimo 4 mm², e 16 mm² quando a edificação tem SPDA.
  • DPS fora do quadro. DPS embutidos em tomadas, por exemplo, precisam ser sinalizados com etiqueta na origem do circuito.

A ordem de ligação entre o DPS e o DR também importa, e ela muda conforme o esquema de aterramento. No esquema TT, por exemplo, a NBR 5410 define no item 6.3.5.2.6 como o DPS deve ser conectado quando fica antes do DR. Explicamos isso em detalhe no post sobre como ligar o DPS no aterramento TT, e no vídeo abaixo mostramos o que pode acontecer quando a sequência é feita errada.

Não sabe se a sua casa tem DPS no quadro?

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DPS, DR, disjuntor e filtro de linha: o que cada um protege

São quatro dispositivos que costumam ser confundidos, e cada um cuida de um problema diferente. Uma instalação completa precisa dos três primeiros no quadro.

DispositivoProtegeContraOnde fica
🔌 DisjuntorOs fiosSobrecarga e curto-circuitoQuadro, um por circuito
👤 DRAs pessoasChoque elétrico por fuga de correnteQuadro
⚡ DPSAparelhos e instalaçãoSurtos de raios e de manobrasQuadro, perto da entrada
🧩 Filtro de linhaOs aparelhos ligados neleRuídos e, nos modelos com proteção, surtos residuaisNa tomada

Sobre a diferença entre DR e disjuntor, temos um guia completo sobre a função do dispositivo DR.

Protetor de surto de tomada e filtro de linha substituem o DPS?

Não. O protetor de surto de tomada e o filtro de linha com proteção fazem o papel de proteção fina, parecido com o de um DPS classe III, perto do equipamento. Eles não têm capacidade para segurar o surto que chega pela entrada de energia, e por isso complementam o DPS do quadro, mas não o substituem. Vale lembrar também que nem todo filtro de linha tem proteção contra surto: muitos são, na prática, uma extensão com chave liga e desliga.

Queda de energia: o que o DPS faz e o que ele não faz

Quando a energia cai e volta, pode surgir um pico transitório, e contra esse pico o DPS atua. Mas há problemas da rede que ele não resolve, porque não são surtos de microssegundos:

  • Sobretensão prolongada, como a que aparece quando o neutro da rede se rompe e a tensão sobe por segundos ou minutos;
  • Subtensão, quando a tensão fica abaixo do normal e motores de geladeira e ar-condicionado sofrem para partir;
  • Oscilações lentas, aquelas em que a luz fica fraca e forte por um tempo.

Para esses casos existem outros dispositivos, como os protetores de tensão que desligam o circuito quando a tensão sai da faixa segura. Durante uma queda, a recomendação simples continua valendo: desligar da tomada os aparelhos mais sensíveis até a energia se estabilizar.

Como saber se o DPS queimou

O DPS se desgasta a cada surto que absorve e pode chegar ao fim da vida útil depois de um surto muito forte. Por isso a NBR 5410 exige que a falha seja sinalizada. Nos modelos de quadro, isso costuma aparecer numa janelinha na frente do dispositivo: verde quando está protegendo e vermelha quando precisa ser trocado. Depois de uma tempestade forte ou de um surto que queimou aparelhos, vale pedir ao eletricista que confira o indicador.

Um DPS que queimou durante um surto fez exatamente o que devia: se sacrificou para que o surto não chegasse aos aparelhos. A troca é a parte da manutenção que vem junto com essa proteção.

Marlon Pascoal Pinto
Opinião do especialista
Marlon Pascoal Pinto · CREA-MG 172.438/D

O erro que mais encontro não é a falta do DPS, é o DPS instalado sem caminho para o surto: quadro sem condutor de proteção, aterramento que nunca foi medido ou cabo de ligação comprido e cheio de curvas. Nesses casos o dispositivo está lá, o cliente acha que está protegido, e o primeiro raio mostra que não estava. DPS bom é DPS curto, perto da entrada e bem aterrado.

Erros mais comuns com o DPS

  • DPS sem condutor de proteção ou com aterramento ruim, que deixa o dispositivo sem caminho para o surto.
  • Cabos de ligação longos, que aumentam a tensão que chega aos equipamentos durante o surto.
  • DPS longe da entrada de energia, deixando parte da instalação desprotegida.
  • Classe errada para a edificação, como só classe II numa edificação com para-raios.
  • Ordem errada entre DPS e DR, sem seguir o esquema de aterramento da instalação.
  • Indicador vermelho ignorado, com o DPS já sem proteção.
Opinião da Engehall

O DPS é um dos componentes mais baratos do quadro quando comparado ao que ele protege. Uma única placa de geladeira, de ar-condicionado ou de portão automático queimada costuma custar mais do que o dispositivo. Para o eletricista, saber dimensionar e ligar o DPS dentro da NBR 5410 é o tipo de conhecimento que separa o profissional que só troca peças daquele que entrega uma instalação protegida.

Perguntas frequentes sobre DPS

O que é DPS?

DPS é o Dispositivo de Proteção contra Surtos. Ele fica no quadro de distribuição e desvia para o aterramento os picos de tensão causados por raios e por manobras da rede, protegendo a instalação e os aparelhos.

Para que serve o DPS?

Serve para proteger equipamentos eletrônicos e a própria instalação contra surtos de tensão. Ele não protege pessoas contra choque elétrico: essa é a função do DR.

O DPS é obrigatório em casa?

Na maioria dos casos, sim. Pelo item 5.4.2.1.1 da NBR 5410, a proteção contra sobretensões transitórias é exigida quando a instalação é alimentada por linha aérea em região com mais de 25 dias de trovoada por ano, ou quando parte dela fica exposta a descargas diretas. A maior parte das casas brasileiras se enquadra na primeira condição.

Qual a diferença entre DPS e DR?

O DR protege as pessoas: ele desliga o circuito quando detecta fuga de corrente, como num choque. O DPS protege os aparelhos e a instalação contra picos de tensão. São funções diferentes e complementares, e uma instalação completa precisa dos dois.

Qual DPS usar em residência?

Na maioria das residências sem para-raios, o DPS classe II no quadro de distribuição. Quando a edificação tem SPDA ou fica muito exposta a raios, entra o classe I na entrada de energia. O dimensionamento deve ser feito por eletricista, conforme a tensão e o esquema de aterramento da instalação.

O DPS funciona sem aterramento?

Não de forma eficaz. O DPS protege desviando o surto para o condutor de proteção e o aterramento. Sem esse caminho, o surto continua seguindo para os aparelhos.

Filtro de linha substitui o DPS?

Não. O filtro de linha com proteção faz uma proteção fina perto do equipamento e complementa o DPS do quadro, mas não tem capacidade para o surto que chega pela entrada de energia. E muitos filtros de linha não têm proteção contra surto nenhuma.

Como saber se o DPS queimou?

A NBR 5410 exige que a falha do DPS seja sinalizada. Nos modelos de quadro, um indicador na frente do dispositivo costuma ficar verde quando ele está protegendo e vermelho quando precisa ser trocado.

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Fontes

  • ABNT NBR 5410:2004. Instalações elétricas de baixa tensão, itens 5.4.2.1.1, 5.4.2.1.2, 5.4.2.2 e 6.3.5.2.
  • ABNT NBR IEC 61643-1. Dispositivos de proteção contra surtos em baixa tensão, classes I, II e III.
  • Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do INPE, sobre a incidência de raios no Brasil.
  • Engehall Elétrica no YouTube. “O que pode acontecer se ligar DPS e IDR na sequência errada?”